quarta-feira, junho 30, 2010

domingo, junho 20, 2010

Almoço SOPEAM- dia 7 Julho 2010

Na Assembleia Geral última de 29 Maio,  por sugestão do nosso prezado sócio Dr. Fernando Chiotte, retoma-se a iniciativa do Almoço de convívio e literário na primeira 4ªFeira de cada mês. Fica aqui divulgada a data do próximo: dia 7 de Julho, às 13 Horas, no Restaurante "Dom Limão Dona Laranja", Av. Nações Unidas, nº 25 B, em Lisboa (junto ao antigo Carrefour de Telheiras). Inscrição prévia: D.Celeste (dona do restaurante): TM 96 4375568 ou Dr. Chiotte, TM - 91 7810520 .
 A direcção agradece desde já, a diligência feita pelo colega Dr. Chiotte e apela ao maior número de participantes no Almoço.

Como nota importante, podemos permanecer sem limite de tempo após a refeição no Restaurante. Esperamos leituras de poesia, contos ou outros trechos literários.

sábado, junho 19, 2010

José Saramago, um Escritor resiliente, um Cidadão do mundo.


Faleceu ontem um grande português, um homem de cultura de projecção nacional e internacional, o nosso primeiro Nobel de Literatura: José Saramago. Personalidade de invulgar singularidade, nasceu em Azinhaga do Ribatejo (Golegã) em 16 Novembro 1922, marcado logo de início por ao seu nome José de Sousa , lhe terem acrescentado a alcunha do pai, Saramago. Só quando ingressou na instrução primária se deu conta do erro pejorativo cometido pelo notário do registo civil. Ao longo da sua vida caminhou sempre entregue a si próprio, na descoberta do mundo e das coisas, numa grande solidão na infância, entre a paisagem rural ribatejana, árvores, rios, rãs, porcos e aves mas, recebendo o calor e o afecto dos seus avós, analfabetos. Cresceu contra a cultura dominante do Estado Novo, mergulhando quase diariamente, nos tempos livres, na Biblioteca Central da Câmara de Lisboa (Palácio de Galveias), onde leu, absorveu e digeriu obras literárias de grandes romancistas. No seu percurso pessoal encontrou muita adversidade, lutando sempre, nunca desistindo e criando o seu próprio caminho. Homem dotado de uma grande resiliência, ao longo da sua vida tropeçou com grandes obstáculos, ingratidões e adversidades. Provavelmente, tornou-se ácido, impulsivo e muitas vezes intolerante, defesas criadas na necessidade de sobrevivência. Grande romancista, com larga pesquisa histórica, deixa-nos obras literárias de grande originalidade, estando traduzido em dezenas de idiomas. Prémio Nobel, deve a Dario Fo (Nobel antecessor), a sua propositura. Teve com ele uma amizade epistolar, nunca se tendo encontrado fisicamente um com o outro.A SOPEAM deixa aqui a sua homenagem, neste dia de perda dum cidadão do mundo.

segunda-feira, junho 07, 2010

ANTÓNIO BELLINI JARA: faleceu

Fomos recentemente informados, pelo seu filho Dr. José Manuel Jara, que o nosso sócio e antigo dirigente da SOPEM -Sociedade Portuguesa de Escritores Médicos( actualmente SOPEAM, Sociedade Portuguesa de Artistas e Escritores Médicos) faleceu em Novembro último. O Dr. António Bellini Jara era natural de Coimbra(1919), tendo aí sido Licenciado em Medicina e Cirurgia, em 1943. Em 1945 ingressou nos Serviço de Saúde das ex-colónias de Angola e Moçambique, tendo desempenhado várias funções, como Delegado Saúde, Médico Inspector e como Director do Hospital Central em Nova Lisboa (actualmente Huambo) até 1974.
 Como poeta, publicou o seu primeiro livro de poemas em 1970, "Vitral do Tempo".
Dedicou-se também ao Ensaio, tendo merecido em 1986 a distinção de Menção Honrosa do Prémio Abel Salazar, da SOPEM: " Sobre Poesia e a sua Leitura".
Em 1983 foi galardoado com com o Prémio de Poesia António Patrício. Em 1981, através da sua obra "Encontros", foi distinguido com o Prémio Bernardo Santareno da SOPEM.
Personalidade multifacetada, publicou artigos científicos médicos, colaborou com a Revista Seara Nova. Foi co-fundador da cooperativa de acção cultural "Plataforma" e fundador e dirigente da Associação dos Médicos Portugueses para a Prevenção da Guerra Nuclear.
Ainda em 2009 deu à estampa o seu livro de poesia "Rumos", ilustrado com fotografias de Orlando Batista.
A Direcção da SOPEAM  endereça aos seus filhos os votos de pesar e tristeza, na partida de um poeta que engrandeceu a cultura portuguesa. Abaixo, transcrevemos à sua memória, um poema de sua autoria.


Naquele tom de azul

neste século de luzes conturbadas
a chama azul de Vermeer
lambe-me suave
rósea língua   branca ria
dum mar azul   para um mar azul
marinheiros que somos
ou a vogar ou aportados
naquele tom de azul
véu da floresta
dos verdes da folhagem
uma verdade
( Antonio Bellini Jara, in "Rumos" Poemas)

quinta-feira, junho 03, 2010

JOÃO AGUIAR, um escritor amigo que nos deixa.

A SOPEAM deixa aqui expresso o seu pesar pelo falecimento do Escritor João Aguiar, hoje 3 Junho 2010. Figura intelectual de primeiro plano, colaborou com a nossa Sociedade integrando Júris dos Prémios Serpis
Literários, mostrando sempre a melhor disponibilidade e colaboração. O Presidente, Dr. Baltazar Caeiro, tinha um grande apreço e estima pelo escritor e jornalista e inteirava-se regularmente sobre o seu estado de saúde (sofria de neoplasia do pâncreas). Na necessidade de constituir Júri para os prémios de 2009, lamentava o seu precário estado de saúde e a falta que nos fazia, pela sua grande qualidade de escritor, que nos honrava. Autor de mais de quarenta obras literárias publicadas ( a maioria pelas Edições ASA), está traduzido em castelhano, francês, alemão, romeno e búlgaro. Na Bulgária era muito conhecido, muito devido a uma professora Búlgara, Leitora de Português. Deixa-nos obras centradas no romance histórico, como "A voz dos Deuses" centrado na figura de Viriato e "Os comedores de pérolas" (1992), numa vivência do tempo que viveu em Macau. Ainda recentemente, escreveu "Lapedo- uma criança do vale", baseado na descoberta arqueológica do Menino do Lapedo, perto de Ribeira de Pontes, local de residência do nosso anterior Presidente , Dr. Luís Lourenço.
Como homem de letras, vivia apenas do seu trabalho de escritor. Era dum grande rigor na escrita e insurgia-se, entre os amigos, no descuido de linguagem nos Média, particularmente na televisão, ele que também fez locução na RTP (1963). Era avesso à utilização inglesada de novos termos correntes de informática, substituindo sempre "E-Mail" por endereço electrónico ou "Site" por sítio. Cultor da língua portuguesa, deixa um grande vazio e a saudade do bom amigo, do cidadão cortês e afável, atento aos problemas políticos e sociais.