Mensagem do novo Presidente, Dr. Baltazar Matos Caeiro* Acto tomada posse
Tomada de posse como Presidente da SOPEAM biénio 2010-2011, em 29 de Maio 2010.
Ainda era Interno dos HCL quando publiquei o meu primeiro livro de contos. Estávamos em 1982. Então já publicava artigos de índole geral e de crítica às políticas de saúde em vários jornais e revistas. Foi, por essa altura, que entrei para a então denominada SOPEM (Soc. Port. Escr. Méd), presidida pelo Prof. Barahona Fernandes.
A partir daí, integrei sempre e até hoje, todas as Direcções que se seguiram e desde a década de 90 como Vice - Presidente.
A minha vida profissional (como cirurgião vascular), de empresário agrícola e de escritor nunca me permitiu aceitar a presidência, pelo que sempre declinei.
Porém, e embora a minha actividade se mantenha, as exigências actuais levaram-me a pensar que não podia fugir por mais tempo, já que apoiado numa equipa de “primeiríssima água”. Uma equipa empenhada, renovada na continuidade da Direcção anterior, a cujo Presidente cessante Dr. Luís Lourenço, quero felicitar pelo trabalho desenvolvido, pelo seu apego à Sociedade e desejar que continue a trabalhar connosco.
À equipa que incorporo um voto de louvor pelo trabalho desempenhado na Direcção cessante, que muito se deve à acutilância cirúrgica da Dra Maria José Leal, ao humor e poder organizativo do Dr. Cruz oliveira, à eficiente psique do Dr. Júlio Pêgo e à eficácia das Dras Maria das Dores Borges de Sousa e Maria Leonor Duarte - esta última acumulando a direcção do ACMP . Também um voto de boas vindas a um novo membro, à Dra Maria Leonor de Almeida (já premiada pela nossa Sociedade).
Dirigir uma Sociedade como a nossa é, à partida, como o nome indica, difícil, porque se trata no fundo de lidar com a classe médica, embora aqui mais humanizada pela vertente cultural, mas cronicamente sem tempo para despender alguma actividade em projectos fora da sua área profissional. Às vezes por mero comodismo.
Depois, somos uma Sociedade sem sede própria, o que dificulta aspectos logísticos e de secretariado, apesar do bom relacionamento que a Sociedade tem tido com as diferentes Direcções da OM, nos permitir ter aqui um espaço de reunião, com algum apoio logístico, mas deficiente secretariado. E aqui quero deixar uma nota de pesar pelo desaparecimento do nosso secretário Sr. Jaime de Azevedo que vinha já da sua constituição, com Dr. Mário Cardia. Imaginem pois o seu apego e conhecimento da causa. Mas ninguém é insubstituível.
Vivemos de pequenas cotizações anuais, que apesar de pequenas em comparação com outras congéneres, por vezes não são pagas. Não temos ajudas nem mecenatos. A cultura é muito bonita quando convém à visibilidade dos Governos, mas em geral é o elo mais fraco quando a sociedade é fraca.
Por tudo isto, é de louvar o que todas as Direcções, à sua maneira, tem feito pela SOPEAM, de modo a torná-la mais conhecida, mais pretendida, mais jovem e dinâmica, mais útil e mais social.
Daí que considere importante e à partida uma melhoria do nosso secretariado, para dar resposta cabal aos apelos dos sócios e aos aspectos burocráticos
Manter e activar o nosso “sítio” na Internet
Reactivar, na medida do possível, as tertúlias literárias na sede
Continuar as reuniões sazonais nos vários pontos do país, como pólo de união entre médicos escritores
Manter a organização alternada das Reuniões da UMEAL (este ano em Lisboa e a nosso cargo) ou a fazer-nos representar
Participar sempre que possível nas Reuniões da UMEM, por esse mundo fora.
Dinamizar os Concursos literários bienais alternados – Fialho de Almeida (ficção), Abel Salazar (ensaio); Marcelino Mesquita ( teatro), António Patrício ( poesia); Mário Botas (pintura), Celestino Gomes (escultura).
Só assim poderemos despertar interesse em novos sócios que queiram, com a sua experiência e dinamismo, colaborar mais activamente e inclusive, vir a constituir listas concorrentes para os corpos directivos em futuras eleições, sinónimo de vitalidade em qualquer Sociedade.
Assinalamos, no entanto, de bom augúrio, o número crescente de candidatos a sócios ( em idade também) o que demonstra o interesse pela Sociedade. Também é digno de registo o número crescente de obras concorrentes aos concursos literários ( 13 obras este ano), o que deixa transparecer que o bicho da escrita está activo na classe médica ( mais do que em qualquer outra) e que os autores dão importância aos prémios.
Quando em 87 - depois de inúmeras tentativas goradas junto de várias editoras com o meu primeiro ensaio olisipográfico “ Quiosques de Lisboa”- concorri ao prémio revelação Abel Salazar da SOPEM e ganhei, perante a minha surpresa, a sua publicação foi quase imediata, abrindo-se -me, a partir daí, com mais facilidade, as portas do mundo editorial ( 17 livros editados no circuito livreiro, entre ensaio histórico, crónica, contos, olisipografia, romance ficção e histórico, uma colecção de 14 títulos dedicada à Saúde Infantil , além de colaborador permanente da revista “ Lisboa Convention Bureau”).
Por isso os nossos júris têm sido escolhidos com critério de exigência, pautando as suas resoluções em sérios parâmetros de qualidade. Mas nem todos podem ganhar!
Vivemos, porém, mergulhados num país do “ faz de conta”. Fazendo minhas as palavras de um articulista, na última Feira do Livro de Lisboa, vários “escritores” autografavam os seus livros. Curiosamente nenhum deles era de facto um escritor. Seriam possivelmente autores de livros publicados, o que é diferente. Um assinava um livro com letras musicais; dois pertenciam a um grupo cómico, assinado um livro de piadas; outro era um político que autografava livros de campanha eleitoral; dois outros assinavam livros de auto-ajuda; um outro, o seu primeiro livro, de pensamentos sobre a sua própria vida. E até uma senhora arguida num processo judicial, ao declinar a sua profissão perante o juiz, intitulou-se escritora. Já várias copiaram o seu estilo que consiste em editar a suas controversas vidas num gravador de um escritor sombra profissional. É contra isto que temos de lutar!
Termino com o título de uma canção de Abril: “A vitória é difícil mas é nossa”! E acrescentaria parte de uma frase que um reizinho louco gritou, em desespero, atulhado em ferro nas areias do deserto: Sim, mas devagar! Só assim a SOPEAM pode chegar, consistentemente, mais longe.
Baltazar Caeiro
